
Um estudo desenvolvido com apoio do Governo do Tocantins aponta que as águas do Rio do Coco apresentam boa qualidade na maior parte dos parâmetros analisados. A pesquisa é realizada na bacia hidrográfica do rio, em uma área parcialmente inserida na Área de Proteção Ambiental (APA) Ilha do Bananal/Cantão, no município de Caseara, região oeste do estado.
Os resultados preliminares foram divulgados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt) em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho. O projeto integra ações voltadas ao fortalecimento da gestão dos recursos hídricos e à produção de conhecimento científico aplicado à conservação ambiental.
A pesquisa, intitulada “Monitoramento da Qualidade da Água Superficial por meio do Índice de Qualidade da Água (IQA) na Bacia Hidrográfica do Rio do Coco”, é conduzida pela pesquisadora bolsista Amanda Cristina Lima e acompanhará, entre 2025 e 2028, possíveis alterações na qualidade da água e sua relação com fatores ambientais e atividades humanas na região.
Entre os indicadores avaliados, foram registrados baixos índices de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), variando entre 0,9 e 1,0 mg/L, parâmetro utilizado para medir a presença de poluição orgânica. O estudo também identificou baixas concentrações de fósforo e nitrogênio, resultados que indicam boas condições ambientais do Rio do Coco.
O Índice de Qualidade da Água (IQA) reúne diversos parâmetros físicos, químicos e microbiológicos, como oxigênio dissolvido, pH, turbidez e presença de coliformes termotolerantes. A ferramenta permite classificar a qualidade da água e acompanhar mudanças provocadas por períodos de seca, cheia ou pela ação humana.
O monitoramento ocorre em duas etapas. Inicialmente, as análises são realizadas diretamente no rio por meio de uma sonda multiparâmetro, capaz de medir características da água em tempo real. Em seguida, as amostras coletadas passam por análises laboratoriais para avaliação de indicadores como fósforo total, nitrogênio total, sólidos totais, coliformes e Demanda Bioquímica de Oxigênio.
Além de ampliar o conhecimento sobre os recursos hídricos da região, os dados produzidos pela pesquisa poderão subsidiar ações do poder público, orientar órgãos ambientais e auxiliar comitês de bacias hidrográficas na elaboração de estratégias voltadas à preservação ambiental e à gestão sustentável da água.
O presidente da Fapt, Gilberto Ferreira, destacou que a produção de informações científicas é fundamental para a tomada de decisões relacionadas à conservação dos recursos naturais.
“Muitas vezes, as pessoas só percebem a importância da água quando ela falta ou quando sua qualidade é comprometida. Pesquisas como esta nos ajudam a conhecer melhor os nossos rios e agir de forma preventiva. É esse tipo de informação que apoia a tomada de decisões e contribui para a preservação dos recursos naturais do Tocantins”, afirmou.
Para Amanda Lima, o incentivo à pesquisa fortalece a criação de soluções voltadas às necessidades locais e contribui para a proteção da biodiversidade e para o desenvolvimento sustentável do estado.
O projeto é financiado por meio do Edital nº 2/2025 da Fapt e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), dentro das ações do Programa de Consolidação do Pacto Nacional pela Gestão das Águas (Progestão), iniciativa desenvolvida em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico para fortalecer a gestão dos recursos hídricos em todo o país.
A expectativa é que os dados produzidos ao longo dos próximos anos contribuam para aprimorar o monitoramento ambiental, apoiar políticas públicas e fortalecer a preservação dos recursos hídricos do Tocantins.