Defesa de Wanderlei Barbosa recorre ao STF após negativa de habeas corpus; cenário político segue em tensão no Tocantins

Erica Lima
Publicado em: 12/10/2025

Após o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), negar seguimento ao habeas corpus que buscava reintegrar o governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos) ao cargo, a defesa do político apresentou recurso para que o caso seja apreciado pela Segunda Turma do STF. O objetivo é restabelecer o exercício do mandato, que foi interrompido após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no âmbito da Operação Fames-19, investigação que apura supostas fraudes e desvios em contratos de fornecimento de cestas básicas e outros itens durante a pandemia.


Em nota, a defesa de Wanderlei Barbosa afirmou que o novo recurso busca assegurar o cumprimento das garantias constitucionais e do devido processo legal, argumentando que o afastamento seria uma medida excessiva diante das provas apresentadas. O governador afastado nega qualquer envolvimento em irregularidades e insiste na tese de que é vítima de uma interpretação distorcida dos fatos.


A decisão de Barroso, publicada nesta sexta-feira, frustrou as expectativas do grupo político de Wanderlei, que esperava uma reversão rápida da medida cautelar imposta pelo STJ. Com o indeferimento, o caso segue em tramitação no Supremo, agora sob análise colegiada, o que pode levar semanas, ou até meses, para uma nova deliberação.


Enquanto isso, o vice-governador Laurez Moreira (PSD) segue no comando do Executivo tocantinense desde 3 de setembro, quando o afastamento de Wanderlei foi determinado por 180 dias. Laurez vem tentando imprimir uma marca própria de gestão, ao mesmo tempo em que adota cautela política para não desagradar a base do governador afastado, que ainda mantém forte influência nos bastidores e no Legislativo estadual.


Nos meios políticos, o impasse é visto como um divisor de águas para o cenário de 2026. A permanência de Laurez no cargo pode fortalecer seu capital político, especialmente se conseguir consolidar apoio institucional e demonstrar estabilidade administrativa. Já o eventual retorno de Wanderlei representaria uma reviravolta com potencial de reorganizar alianças e retomar o protagonismo do Republicanos no Estado.


Por ora, a cena política do Tocantins segue em compasso de espera, acompanhando de perto os próximos passos do Supremo Tribunal Federal e os desdobramentos de uma disputa que vai muito além do campo jurídico e que pode redefinir o equilíbrio de forças no Palácio Araguaia.