Afastamento de Wanderlei Barbosa completa três meses sem avanço no STF e cenário político se reorganiza no Tocantins

Erica Lima
Publicado em: 01/12/2025

Na próxima quarta-feira (3), completa-se um marco simbólico no cenário político tocantinense: três meses do afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos). O período representa exatamente a metade dos 180 dias determinados pelo ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), após a deflagração de operações que apuram suspeitas envolvendo a cúpula do governo estadual em fraudes na aquisição de cestas básicas durante a pandemia.


Apesar das expectativas iniciais da defesa, o processo que poderia viabilizar o retorno de Wanderlei ao Palácio Araguaia segue parado no Supremo Tribunal Federal (STF). Desde o fim de outubro, o ministro Kassio Nunes Marques assumiu a relatoria do agravo apresentado pelo governador afastado na 2ª Turma da Corte (colegiado composto por Nunes Marques, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e André Mendonça).


É Nunes Marques quem decidirá se reconsidera ou não a decisão do ministro Luís Roberto Barroso (agora aposentado), que havia rejeitado o habeas corpus impetrado por Wanderlei. Na prática, o julgamento do agravo é a principal via jurídica para o governador tentar reassumir o mandato. Entretanto, até agora, não houve qualquer movimento indicando que o caso será analisado ainda este ano. Nos bastidores, até aliados próximos do governador reconhecem que o retorno imediato é “quase impossível”, especialmente após a nova operação que revelou tentativas de interferência política e institucional para dificultar as investigações.


Laurez avança na interinidade e busca consolidar base para 2026


Enquanto o impasse judicial permanece, o governador interino Laurez Moreira (PDT) intensifica movimentos para ocupar o espaço político deixado por Wanderlei. Na condição de gestor interino, Laurez tem buscado se aproximar de prefeitos e lideranças tradicionais do grupo de Wanderlei, apresentando-se nos bastidores como uma alternativa viável para a disputa de 2026.


Para ampliar sua base, Laurez tem reformulado programas já existentes e tentado imprimir uma marca própria à administração. As sinalizações de aproximação com diferentes segmentos políticos têm sido vistas como parte de uma estratégia para consolidar apoio, especialmente em áreas onde Wanderlei mantinha forte influência.


Assembleia dividida e futuro incerto


Na Assembleia Legislativa, parlamentares avaliam que Laurez já teria conquistado o apoio de ao menos metade dos 24 deputados estaduais. Porém, esse respaldo ainda é insuficiente para destravar eventuais processos de impeachment contra Wanderlei, que exigiriam articulação política mais robusta e alinhamento quase absoluto da base.


Assim, o cenário no Tocantins permanece marcado por indefinição. Com o afastamento completando três meses e a análise do recurso parada no STF, a tendência é que o Estado siga sob comando interino por tempo indeterminado, um período que Laurez tenta transformar em janela política para reorganizar forças e redesenhar o mapa de alianças rumo a 2026.


O imbróglio jurídico e a disputa por espaço político mantêm o ambiente em tensão e incerteza, enquanto cresce a percepção de que o desfecho do caso pode redefinir o eixo de poder no Tocantins pelos próximos anos.