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DIRETO DO PLANALTO

Bolsonaro dobra a aposta no tumulto

02/08/21 19:58:55 | Atualizado em: 02/08/21 19:58:55

Foto: Memorial da Democracia


O presidente da República Jair Bolsonaro, alçado ao poder pela urna eletrônica desde as eleições de 1998, segue sua jornada de desmoralização da Justiça Eleitoral ao ameaçar a realização de eleições ano que vem.

A fórmula é conhecida e documentada por estudiosos do fenômeno das erosões democráticas: 1) chegue ao poder democraticamente, 2) ataque as instituições, 3) ataque e desacredite os veículos de informação tradicionais que outrora veiculavam notícias desfavoráveis contra os adversários políticos, 4) questione eventual resultado desfavorável nas urnas.

Reeleito, continue atacando as instituições, persegue opositores reais e invisíveis e faça fervorosa defesa a favor de mandatos com duração ilimitada. Derrotado, incite a invasão e depredação de instituições como o Congresso Nacional - Capitólio, lembra? - e o Supremo Tribunal Federal.

Sabendo que dificilmente o Congresso aprovará a mudança já para as próximas eleições, Jair Bolsonaro aposta no tumulto, sob o olhar complacente daqueles que ocupam, mas deitam em berço esplêndido em instituições-chave da República.

É importante frisar que toda medida para melhorar a segurança do processo eleitoral é bem-vinda. Entretanto, também é certo que a adoção ou não do voto impresso, a título de exemplo, deve ser precedido de testes à exaustão para que se possa aferir a pertinência ou não da adição de novo aparato de auditoria.

Sem tempo hábil para a testagem, a justificativa de segurança do novo sistema é prego martelado na areia que oculta intenções pouco democráticas de quem sabe que é inviável mudança com as eleições já à esquina.

Nesses tempos, em que alguns colocam em cheque a esfericidade da Terra, devemos constantemente acender uma vela no escuro para reafirmamos o dois com dois são quatro e que, da mesma forma, não é possível ser a favor e contra a democracia ao mesmo tempo.

Gylwander Peres