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Crise institucional

Delegado de Paraíso do Tocantins acusa Polícia Militar de invadir delegacia e intimidá-lo

Governo nega crise entre as duas instituições e instaura procedimento administrativo para apurar circunstâncias das ocorrências

20/04/17 18:46 | Atualizado em: 20/04/17 22:14

Divulgação
O cumprimento de uma ordem de prisão expedida pela Justiça por policiais civis, contra dois policiais militares do Núcleo de Inteligência da PM, acusados de tráfico de drogas e repasse de armas apreendidas a terceiros, ocorrida em Paraíso do Tocantins nesta última quarta-feira, 19, colocou em confronto as duas instituições de segurança pública.

A prisão atende a um pedido do Ministério Público Estadual, que ofereceu denúncia contra os militares, no âmbito da Operação Frutos Podres.

Em vídeo divulgado na tarde desta quinta-feira (2), o delegado Cassiano Ribeiro Oyama, da 2ª Delegacia de Polícia, relata que homens da Força Tática da PM, liderados por Capitão Fernando, que se apresentou como subcomandante do Batalhão, invadiu sua sala exigindo que ele recebesse um ofício em nome do comandante, justificando que não iria apresentar os policiais intimados a depor porque não tinha tempo hábil para compor uma nova escala.

No relato do delegado, o capitão teria justificado a invasão pelo fato de a Polícia Civil ter realizado a prisão dos acusados no Batalhão comandado por ele. Oyama teria explicado que cumpria uma ordem judicial.

O delegado registrou Termo Circunstanciado de Ocorrência de Desobediência para compor o processo e alerta para a crise entre as duas instituições, a partir deste episódio.

O vídeo gravado pelo delegado Oyama mostra quatro viaturas saindo a porta da delegacia, escoltado por policiais armados com fuzil, dando cobertura a abordagem do subcomandante da PM.
 
Governo nega crise

Para conter os ânimos entre as duas instituições, o governo convocou uma entrevista coletiva no final da tarde, no Palácio Araguaia, que contou com a presença do sub-secretário da Segurança Pública, Abzair Paniago, e o comandante-geral da Polícia Militar do Tocantins, coronel Glauber de Oliveira Santos.

Ambos afirmaram que não existe disputa ou desentendimento entre a Polícia Civil e a Polícia Militar e que eventuais excessos serão apurados. Paniago lembrou que o mandado judicial cumprido pela Polícia Civil contra dois militares, acusados de tráfico de drogas, está sob sigilo de justiça, e sobre isso não poderia falar nada a respeito.

Para demonstrar a cordialidade entre as partes, o Comando Geral da PM instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as condições em que se deu a ação, conforme explicou o coronel Glauber Santos. “Isto é um procedimento obrigatório que tenho que adotar por força do Código Penal Militar. O IPM tem um prazo de 40 dias para chegar a um resultado”, acrescentou.

Abzair Paniago informou que determinou a vinda, à Palmas, do delegado de Paraíso do Tocantins, para ouvi-lo sobre as ocorrências no Batalhão e na Delegacia da cidade, como parte dos procedimentos de apuração instaurados.